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 Saúde em estado terminal

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MensagemAssunto: Saúde em estado terminal   Qui Abr 24, 2008 5:37 pm

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Pilar da vida humana e indicador incontestável do estado de desenvolvimento de um país, a saúde pública no Brasil agoniza em estado terminal. Todos que tiveram a má sorte de passar por algum problema e necessitaram para tal ser atendidos em qualquer emergência de hospital público constataram – se é que sobreviveram – a vergonhosa situação em que se encontra este serviço fundamental para a vida humana em nosso país.

Há algum tempo escrevi aqui horrorizada com o caso da moça paraibana cardíaca que poderia ter sido salva por uma cirurgia. Aguardou durante três meses. A cirurgia não aconteceu porque os médicos se encontravam em greve e não pensavam em dela sair para atender e resgatar uma vida em risco.

A situação piora em vez de melhorar. Apesar de o ministro Temporão ter liberado verbas aqui e ali, o rombo é tão grande no barco da saúde brasileira que não se consegue que este pare de fazer água. E afunda então cada vez mais. E os mais atingidos são evidentemente os mais pobres, que não podem dar-se ao luxo de recorrer à medicina privada nem possuem recursos para pagar planos de saúde cada vez mais caros.

Em importante hospital público no Rio de Janeiro as mulheres só têm direito ao tratamento de câncer de mama uma vez. Se por acaso tiverem a má sorte de ter uma recidiva e ou o aparecimento de outro tumor no outro seio não poderão ser operadas. O hospital não dispõe de recursos materiais ou humanos para tal. E a paciente fica condenada à morte sem remissão.

No Rio de Janeiro, dois importantes hospitais estaduais – o Rocha Faria, em Campo Grande e o Getúlio Vargas, na Penha – não terão mais o departamento de neurocirurgia. Os especialistas diminuem a cada dia. Em busca de salários melhores procuram outros espaços de trabalho. E a população das zonas oeste e norte do Rio fica desatendida em uma importantíssima área da saúde, expondo muitas vidas à invalidez ou à morte.

Dados recentes do IBGE demonstram que grande parte dos atendimentos em saúde é de origem ambulatorial e, devido à falta de recursos, grande parcela da população não procura por serviço médico. Acrescente-se a estes dados a existência de 118 faculdades de medicina em condições estruturais, recursos técnicos e humanos muito diversos. Muitas destas escolas não têm condições de ministrar o currículo mínimo exigido pelo MEC e a formação que oferecem aos futuros médicos é precária para não dizer deficiente.

O entendimento do conceito mesmo de saúde tem evoluído nos últimos anos para entendê-la em sentido mais amplo. Não apenas como ausência de doenças, mas como componente da qualidade de vida. Saúde, portanto, não é bem de troca, mas parte do acervo do chamado bem comum. Trata-se, portanto, de direito social, ao exercício e prática do qual todos, sem exceção, têm direito.

A partir desse princípio norteador, então, é que entra a obrigatoriedade por parte do Estado da aplicação e utilização de todos os recursos, conhecimento e tecnologia disponíveis, para promover e proteger a saúde em termos de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. Com hospitais desaparelhados e instalações em ruínas; médicos mal pagos e desmotivados; pacientes gemendo, sofrendo e morrendo pelos corredores das instituições por falta de condições mínimas de atendimento, não há como esperar que o Brasil consiga exercer minimamente o direito de cidadania que emana de um nível de saúde aceitável para sua população.

Quando a saúde e a educação entram em obsolescência, é toda a vida de um povo que está em risco. E são as prioridades mais fundamentais que se encontram desrespeitadas e distorcidas. Esta é, infelizmente, a situação de nosso país no momento que ora atravessamos.
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Andbyrio



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MensagemAssunto: Re: Saúde em estado terminal   Sab Maio 10, 2008 8:21 am

10/5/2008 01:08:00

Mortes em seqüência

Cinco idosos internados em hospital estadual de Itaboraí morrem em 55 minutos. Causa pode ter sido problema na rede de fornecimento de oxigênio. As vítimas respiravam artificialmente

Rio - Cinco pessoas morreram na madrugada de ontem de parada cardiorrespiratória em um mesmo setor do Hospital Estadual João Batista Cáffaro, em Itaboraí. Os pacientes, com idades entre 61 e 80 anos, estavam internados na Unidade de Pacientes Graves (UPG) e morreram num intervalo de 55 minutos, segundo a polícia. Uma das hipóteses investigadas é que as mortes podem ter sido causadas por um problema na rede de fornecimento de oxigênio: todas as vítimas estavam ligadas a respiradores artificiais.

Técnicos da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil passaram o dia no hospital em busca de informações, mas até o início da noite não haviam chegado a qualquer conclusão sobre as mortes. “Não podemos descartar hipóteses. Temos que esclarecer essas cinco mortes. Todos os corpos foram encaminhados para a necropsia”, afirmou Victor Berbara, superintendente de Vigilância em Saúde da secretaria estadual.

O secretário de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, comunicou as mortes ao secretário de Segurança Pública, Mariano Beltrame, e ao chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, para abertura de registro de ocorrência na 71ª DP (Itaboraí).

LACRE NO OXIGÊNIO

No início da tarde, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli lacraram 14 cilindros de oxigênio que serão enviados para análise.

“A polícia vai investigar se houve falha técnica. A partir de segunda-feira, vou começar a ouvir os profissionais que estavam no plantão e recolher alguns papéis, como prontuários e documentos”, afirmou o delegado Antônio Ricardo Nunes, que instaurou inquérito para apurar a causa das mortes.

O estado instaurou sindicância interna e afirmou que a Superintendência de Vigilância em Saúde vai analisar os prontuários dos pacientes, os medicamentos usados e atendimento prestado. Além disso, será feita a análise da rede de distribuição de oxigênio do hospital.

“Tínhamos nove pacientes usando respiradores artificiais em setores diferentes e cinco deles morreram. Não podemos afirmar se o problema ocorreu no fornecimento de oxigênio. Não temos relato de problemas na rede de oxigênio, mas tudo será apurado.

Vamos analisar os medicamentos, procurar saber se algum mesmo medicamento foi usado por todos os que morreram. Os profissionais de plantão também serão ouvidos”, explica Victor Berbara.

Subsecretário de Atenção à Saúde, Manoel Santos afirmou que peritos fizeram análise na rede de tubulação de oxigênio do hospital. “Está em perfeito estado. Nada foi demonstrado que pudesse ter causado as mortes”.

Segundo o estado, 22 pessoas trabalhavam no hospital na madrugada de ontem: a equipe estava completa. O secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, esteve na unidade no meio da tarde, mas não quis comentar o assunto.

Apesar das mortes, não houve interdição do hospital. “Não há indícios de infecção hospitalar. Isso não foi verificado nos exames”, explica Berbara. Perguntado sobre a hipótese de crime, ele não descartou. “Não temos indícios disso, mas se durante a investigação epidemiológica algo indicar para isso, será apurado. Por enquanto, sabemos que os cinco eram doentes muito graves, tinham poucas possibilidades terapêuticas e morreram por parada cardiorrespiratória”, disse Berbara. O estado abriu sindicância interna para apurar as mortes.

DOIS PACIENTES FORAM INTERNADOS NA VÉSPERA

Instalados numa mesma sala, os cinco pacientes que morreram na madrugada de ontem eram portadores de doenças diferentes. Dois deles chegaram ao Hospital João Batista Cáffaro no dia anterior às mortes.

Internado quinta-feira, Amaro da Silva, 61 anos, foi levado ao hospital pela família e, de acordo com a Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil, havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Desde o momento da internação ele apresentava quadro de morte cerebral aparente, informação confirmada pelo superintendente de Vigilância Sanitária do Estado, Victor Berbara.

Oswaldo Raimundo da Silva, 72 anos, também foi internado na véspera de sua morte devido a cirrose hepática. Ele deu entrada na unidade com fortes dores nas costas e no abdomên. No atestado de óbito, entregue ao filho de Oswaldo, Fábio da Silva, 34 anos, a causa de sua morte seria, além de cirrose, também parada cardiorrespiratória e insuficiência respiratória aguda. “Meu pai deu entrada na unidade às 21h. Estava mal, mas lúcido”, disse Fábio.

EM COMA

As outras três vítimas são Isaurino Francisco Opilhar, 78 anos, Petrolina Ribeiro da Silva, 76 anos, e José da Conceição, 80 anos. Petrolina foi internada na terça-feira por complicações causadas por diabete aguda. Segundo o estado, já em coma. O paciente José da Conceição era o que estava internado havia mais tempo no setor. Ele deu entrada na unidade dia 4 de abril com pneumonia. Ele sofria do mal de Alzheimer e apresentava infecção renal. O estado afirma que o paciente estava em coma e que seu quadro era bastante grave.

Os horários e locais de sepultamentos das vítimas não tinham sido divulgados até ontem à noite.

AR SOB MEDIDA

Uma queda de pressão no oxigênio pode provocar a morte de parte dos pacientes que estão ligados a respiradores artificiais, de acordo com especialistas. Ou seja, é possível que cinco dos nove pacientes que estavam respirando com ajuda dos equipamentos tenham morrido devido a problema no fornecimento de oxigênio.

“Os pacientes têm necessidades diferentes. Tem aquele paciente mais grave que está totalmente dependente do respirador artificial. Ou seja, ele só consegue respirar se o aparelho estiver funcionando. Por outro lado, temos o doente que necessita do equipamento para auxiliar sua respiração. Significa que esse é capaz de respirar sozinho, com dificuldades por algum tempo, caso ocorra algum problema”, explicou médico intensivista que pediu para não ser identificado. Segundo o estado, na madrugada de ontem, três pacientes que também estavam nos respiradores, no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) não morreram. Um quarto doente, da Unidade de de Pacientes Graves (UPG), também sobreviveu.

Presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze disse que acompanhará as investigações. “Isso é uma catástrofe. Cinco mortes num mesmo setor num curto espaço de tempo é um fato atípico. E interessa aos médicos o esclarecimento das circunstâncias”, avalia.

De acordo com o estado, não há relato de falta de energia elétrica ou pane em equipamentos na madrugada de ontem no Hospital João Batista Cáffaro.
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Anderson



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MensagemAssunto: Re: Saúde em estado terminal   Sab Maio 10, 2008 12:54 pm

enquanto isso o governo entrga refinarias de petróleo, empresta energia a argentina, renegocia itaipú com paraguai, ajuda a todos os países em volta, mas não ajuda a sua própria população.
dinheiro paraindenizações milionárias tem, para invetimento em saúde diz que não cpmf, mas aumentou o IOF para compensar a cpmf.

Analistas fiscais, advocacia geral da união e tantos outros que já ganham bem recebem aumento para ganhar melhor ainda.
Mas dinheiro não tem, só quando convém.
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